Entrevista com Natalia Lodato da Tasca d’Almerita

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Tasca d’Almerita é uma das mais renomadas vinícolas sicilianas. Natalia Lodato, Embaixadora da Tasca d’Almerita, concedeu uma entrevista exclusiva para a DiVinho, falando da tradição vitivínicola da Sicilia, das uvas autóctones e do icônico vinho Rosso del Conte, confira:

Tasca d’Almerita conta com uma tradição de mais de duzentos anos, conte um pouco dessa história.

Tasca d’Almerita é um vinícola que nasce em 1831, com os irmãos Lucio e Carmelo Mastrogiovanni Tasca, adquirindo mil e duzentos hectares no coração da Sicilia. Entendendo que era um local onde a viticultura poderia alcançar grande qualidade.

É um vinícola familiar e no momento estamos na oitava geração com os irmãos Alberto e Giuseppe. Nosso foco é a sustentabilidade e trabalhamos sempre para cuidar e melhorar o local onde vivemos.

Existem vários momentos importantes na história na vinícola. Um deles, durante a metade do século vinte, quando a quarta geração da Tasca d’Almerita decide competir com os grandes vinhos da época, os franceses, fazendo um vinho tinto com variedades autóctones utilizando uma madeira também autóctone, a família da castanheira. Nasce assim um ícone da viticultura siciliana, o Rosso del Conte.

Seu nome faz homenagem ao visionário Conde Giuseppe, que tinha a visão de como um vinho tinto de alta qualidade deveria que ser. Assim, em quinhentos hectares no coração da Sicilia, elegeu uma pequena parcela com condições de solo e exposição solar peculiares e plantou duas variedades autóctones, Nero d’Avola e Perricone.

A primeira colheita do Rosso del Conte foi a de 1970 e apresentada em 1975. Isso, porque a castanheira é uma madeira bastante nobre, mas precisa de mais tempo para chegar ao equilíbrio no vinho.

Outro momento importante foi com a quinta geração, com o Conde Lucio, que introduz na Sicilia as variedades internacionais, pois até então não eram permitidas, plantando Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Blanc. Em 1989, por fim, quando as variedades internacionais são permitidas, Tasca d’Almerita é a primeira a apresentar ao mundo um Cabernet Sauvignon e um Chardonnay feitos na Sicilia.

Em um momento mais recente, nos anos 2000, com o crescimento da vinícola, são adquiridas outras pequenas parcelas na Sicilia e fala-se muito mais das variedades autóctones. Em 2001 chegamos à ilha de Salina, com solos vulcânicos, na D.O. Malvasia delle Lipari e começamos a produzir vinhos com essa variedade.

Em 2007 chegamos à Etna, outra ilha vulcânica e começamos a produzir vinhos com as variedades Nerello Mascalese e Carricante. No mesmo ano chegamos à pequena ilha de Mozia, com a variedade Grillo. Produzimos um vinho único, Grillo Mozia, pois Tasca d’Almerita é a única que pode explorar os quarenta hectares da superfície da ilha.

Em 2009, bodega Sallier de La Tour é a última a fazer parte da família Tasca. Uma propriedade dos primos de Tasca d’Almerita, em Monreale, com o cultivo da variedade Syrah.

Em toda nossa cadeia de produção sempre utilizamos um método que permite manter o mínimo de impacto e preservar o meio ambiente e a qualidade de vida dos trabalhadores da vinícola.  Melhoramos também o transporte, diminuímos a quantidade de água utilizada na produção, instalamos painéis solares.

Essa é uma longa história sempre baseada, em cada momento, a produzir vinhos de qualidade e preservar o ambiente.

Giuseppe e Alberto Tasca
Giuseppe e Alberto Tasca

Tasca d’Almerita tem uma filosofia de respeitar a terra e as pessoas que trabalham nela, como é esse trabalho?

Nesse momento a filosofia da Tasca d’Almerita é trabalhar de modo sustentável. Há dez anos atrás, o Ministério da Agricultura da Itália propôs às vinícolas italianas controlar o impacto que a viticultura tem no meio ambiente, no ar, na água e no solo. Nós descobrimos que estávamos trabalhando bem, mas não era suficiente e teríamos que fazer muito mais.

Por isso, Alberto e outros produtores sicilianos decidiram pedir ao comitê cientifico da Universidade de Piacenza para desenvolver um protocolo que as vinícolas tivessem de seguir. Além do que o Ministério da Agricultura havia proposto, foram incluídos outros pontos.

Um dos pontos mais importantes era evitar o uso de quaisquer químicos nos vinhedos. Assim, quando você visita no inverno ou na primavera nossos vinhedos em Regaleali encontra-os todos cobertos com ervas espontâneas e selvagens. Além de evitar a erosão esse também é um sinal que a biodiversidade do meio ambiente está sendo respeitada.

Enriquecemos os minerais no terreno utilizando uma prática que consiste em plantar leguminosas que acumulam nutrientes em suas raízes e os espalham em seu terreno, enriquecendo assim a substancia orgânica nas vinhas.

Trabalhamos também com prevenção, através de estações meteorológicas que nos ajudam a definir em que momento podemos intervir. Intervemos de acordo com as praticas orgânicas.

É uma viticultura integrada que nos propomos. E o impacto dessa viticultura integrada tem que ser igual ou inferior ao da viticultura orgânica. Diminuímos uma parte terceirizada da produção das bodegas para emitir menos CO2 durante o transporte.

Utilizamos também a metade da água e temos painéis solares para diminuir o consumo de energia. Maquinário é utilizado apenas para aliviar o trabalhar nos vinhedos. Se as ervas estão muito alta ajudamos a diminuir essa altura com o maquinário para exigir menos esforço ao limpar os vinhedos.

Fazemos uso de transportes sustentáveis, como o trem e temos que declarar quantos quilômetros foram rodados. Tudo isso pela transparência, o que fazemos publicando todos os anos em um relatório chamado SOStain.

Regaleali
Regaleali

Tasca d’Almerita foi eleita como “Vinícola do Ano” pelo guia Gambero Rosso, como foi receber esse reconhecimento?

Seguramente esse reconhecimento, assim como os que chegaram antes e os que ainda chegarão, nos confirma que nosso modo de trabalho é o correto.

O reconhecimento do consumidor final também é muito importante. É mais um motivo para seguir melhorando e continuar falando de variedades autóctones sicilianas.

Robert Parker é um grande fã da Tasca d’Almerita, declarando-a como um de seus produtores favoritos na Sicília, como essa aprovação impacta na vinícola?

Para nós o reconhecimento de Robert Parker é muito importante, porque ele é um embaixador do vinho no mundo.

Assim, saber que Tasca d’Almerita é uma de suas favoritas, quer dizer seguramente que estamos fazendo o nosso trabalho da melhor maneira.

Além de ajudar a quem está pensando em experimentar vinhos sicilianos a ter a confiança de degustar e eleger nossos vinhos quando estiver em um restaurante.

Sala das Barricas
Sala das Barricas

Rosso del Conte é um dos rótulos mais famosos da Tasca d’Almerita, criado por Giuseppe Tasca, fale um pouco desse vinho.

Rosso del Conte, ou como se chamava nos seus primeiros anos de vida, Riserva del Conte, foi um sonho de um visionário siciliano. Um homem que amava sua terra e acreditava em seu potencial quando a Sicilia ainda vendia vinhos a granel. Ele acreditava que podia ser um vinho de grande qualidade e competir com os melhores vinhos tintos do mundo.

E assim nasce esse sonho, elegendo uma pequena parcela, variedades autóctones e uma madeira autóctone também. E confiando e tendo paciência, pois foi apresentada depois de cinco anos a colheita que havia elegido. Ele começou a vinificar as uvas em 1964, mas a colheita que gostou mais foi a de 1970, a que decidiu apresentar ao mundo.

O nome Riserva del Conte foi utilizado por quase dez anos, depois, como na vinícola todos o chamavam como o “Vinho Tinto del Conte” se decidiu trocar o nome para o atual Rosso del Conte.

Com o passar dos anos o blend mudou um pouco. No início era mais Perricone, que é uma variedade tinta autóctone e Nero d’Avola. Hoje em dia é um pouco mais Nero d’Avola do que Perricone, mas trabalhamos em uma proporção de 55% para 45% quase todos os anos.

A madeira utilizada mudou também. Passou-se pelo carvalho da Eslavônia, hoje trabalhamos apenas com carvalho francês de altíssima qualidade dos bosques de Allier e Tronçais. Somente usamos barris novos, mas com tostas ligeiras ou medianas.

Pois o mais importante é que você possa reconhecer as variedades que compõe o vinho e como foi a colheita a nível climático. Afinal o vinho deve ser um tradutor do terroir.

Hoje, no Rosso del Conte temos Nero d’Avola e Perricone, que envelhece por dezoito meses em barris de carvalho francês e mais doze meses na garrafa. Esse processo realmente necessita paciência e é uma paciência que temos na Tasca d’Almerita.

Rosso del Conte
Rosso del Conte

Como é a produção dos Grandi Vigne?

Para Tasca d’Almerita Grandi Vigne são os vinhedos que desde sempre nos têm proporcionado altíssima qualidade, comprovados pelo passar dos anos. São vinhedos de 1964, 1959 e um pouco mais jovens, de 1985 e que utilizamos somente para a criação de nossos vinhos de alta gama.

No Rosso del Conte utilizamos apenas os vinhedos de 1959 da Vigna San Lucio. Para nosso Chardonnay e nosso Cabernet Sauvignon, a Vigna San Francesco. E para nosso Nozze d’Oro, esse grande branco que tem uma qualidade incrível, utilizamos a Vigna Santa Tea e a Vigna Barbabietole.

São vinhos que, para nós, expressam o terroir de Regaleali. Um terroir muito diferente do que se conhece da Sicilia, de colinas, a quase novecentos metros acima do nível do mar. Um local onde até temos neve. Por isso, elegemos pequenas parcelas da melhor qualidade e produzimos vinhos que melhor representam a qualidade desse terroir.

Existe uma nova geração de jovens que estão descobrindo os prazeres dos vinhos, como é atender esse público?

Certamente a melhor maneira de chegar aos jovens é usando os meios de comunicação que eles utilizam e nós estamos mudando nesse sentido. Utilizando muito mais as redes sociais e sendo contemporâneos, mas sem esquecer do passado.

A tradição tem que ser transmitida aos jovens de forma diferente. Antes utilizávamos e-mail, hoje já são vídeos live. Temos muito interesse e estamos muito contentes que essa geração queria aprender mais, pois é muito curiosa para conhecer onde a viticultura já é praticada há tantos anos e esperamos que seja por muito mais.

Vinhedos em Tascante
Vinhedos em Tascante

Quais rótulos Tasca d’Almerita você recomenda para os brasileiros?

Seguramente a cultura do Brasil é do vinho tinto. Por isso, recomendo que não só bebam os tintos da Sicilia, mas descubram as variedades brancas, pois são incríveis. A Sicilia é muito grande, quase um pequeno continente.

Recomendo Nozze d’Oro, que é um vinho branco, blend de duas variedades únicas, Inzolia e Sauvignon Tasca, um Sauvignon que leva o nome da família Tasca, pois só cresce em Regaleali.

Nozze d’Oro  é um vinho de origem austríaca que modificou seu DNA adaptando-se ao terroir siciliano.  Pode ser provado ainda jovem, mas também depois de dez anos, pois tem um potencial de amadurecimento incrível.

É interessante também conhecer a variedade Grillo. Posso recomendar Grillo – Cavallo delle Fate, do coração da Sicilia, assim como Grillo Mozia, na pequena ilha de Mozia. Dois vinhos que expressam dois terroirs completamente diversos, mas que expressam a Sicilia em sua essência.

Indico também provar um vinho de Etna, como Ghiaia Nera, um vinho tinto 100% Nerello Mascalese. Uma variedade que produz vinhos muito elegantes, mas exige paciência, pois conta com muitos taninos, que é preciso esperar para que fiquem mais redondos. Sua irmã, a variedade branca, Tascante, também é muito elegante e mineral.

E, obviamente, recomendo Rosso del Conte, que é sinônimo com a Sicilia!

 

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