Entrevista com Bernardo Troncoso da Viña Montes

Bernardo Troncoso, enólogo da Viña Montes, esteve no Brasil no mês de maio para um evento da Importadora Mistral. Ele concedeu uma entrevista exclusiva para a DiVinho, falando do pioneirismo da Viña Montes em produzir vinhos premium e super premium no Chile, a busca pela qualidade e algumas curiosidades, confira:

A Viña Montes foi pioneira na produção de vinhos de alta qualidade no Chile, conte um pouco dessa história.

Chief winemaker Aurelio Montes

 

Essa história é a parte mais importante da vinícola. Aurelio Montes foi o pioneiro, trabalhando na parte comercial de outra vinícola notou que o Chile produzia muito vinho, mas não era conhecido pelo resto do mundo.

Aurelio pensou em produzir um vinho fora do comum e de maior qualidade. Começou a aplicar todos os seus conhecimentos de tecnologia e produção nesse rótulo, assim nasceu o Montes Alpha. O nome Alpha é justamente porque foi o primeiro.

Posteriormente, com um trabalho muito grande nos vinhedos e na bodega, era preciso vender os vinhos. Sair do Chile e mostrar esse trabalho. Foi uma tarefa muito grande, que partiu de um sonho, que pensávamos que podia funcionar, mas não tínhamos nenhuma certeza.

É uma história muito bonita. A Viña Montes é uma adega com apenas trinta anos e que tornou-se muito conhecida. Isso tem a ver com ser o primeiro, com atrever-se. É uma filosofia que nunca acabou. Buscamos o desafio, contando com trabalho em equipe e buscando sempre melhorar.

Como o terroir chileno influencia na elaboração dos rótulos?

O terroir chileno é muito interessante, pois o Chile é um país comprido e estreito. Você encontra muitos tipos de terroirs, pelas condições climáticas distintas. Isso nos permite experimentar muito.

Existem as zonas tradicionais, como Maipo, para Cabernet Sauvignon, Colchagua, para Carménère, Casablanca, para Chardonnay e Pinot Noir. Mas temos muito a mais conhecer do Chile, também na região sul.

Há muito a descobrir ainda no terroir do Chile. O Chile não é só um produtor de Carménère, mas de todas as castas. Colocando no lugar certo se terá um bom vinho. O Chile é mais que uma variedade, mais um terroir ou uma junção de terroirs.

Estamos surpreendendo o mundo com os resultados de nossos vinhos. O Chile ainda tem muito a crescer. Estamos em um processo de renascimento da viticultura chilena. Isso, claro, depende também da estrutura da vinícola.

Na Viña Montes temos uma estrutura muito bem definida, produzindo vinhos de alta qualidade. Estamos sempre na busca do terroir e das cepas que adaptam-se a esse terroir.  Temos um compromisso de respeito com nossos clientes, proporcionando uma boa experiência com vinhos de qualidade.

 

A Viña Montes proporcionou uma verdadeira revolução na viticultura chilena, de quantidade para qualidade, como foi esse processo?

Com o Montes Alpha fomos os primeiros a ver a viticultura de maneira distinta. Aurelio teve a visão e a convicção de que o Chile tinha muito potencial. Na época havia muitos vinhos, produzidos em grande quantidade, mas de qualidade intermediária para baixo.

Aurelio viu esse potencial pela primeira vez no Vale do Curicó, onde os vinhedos estavam configurados para produzir muita uva. Pensou então que reduzindo a quantidade de produção seria possível produzir um vinho de melhor qualidade.

Além da restrição de frutas por hectares, também adequamos as técnicas de produção e de vinificação. Foi assim produzido o primeiro Cabernet Sauvignon com doze quilos por hectare, que era menos da metade da produção anterior.

Seguimos pelo caminho da qualidade. Um menor rendimento, mas uma uva mais concentrada e com melhor cor. Com uma uva mais concentrada tivemos que mudar as técnicas de extração também, para que o vinho não ficasse muito tânico ou amargo.

Assim surgiu o Montes Alpha Cabernet Sauvignon. E esse vinho acabou ficando tão conhecido que muitos pensam que a vinícola se chama Montes Alpha e não Viña Montes.

O segundo passo foi mudar novamente o rendimento e assim surgiu o Montes Alpha M. Um vinho com uma acidez um pouco maior, muito concentrado e com maior potencial de guarda.

Escolhemos em nossos vinhedos e avaliamos os melhores lugares para plantar as uvas para esse vinho. Um vinho super premium advém não só da restrição do rendimento, mas também da casta, do terroir e do clima.

O Montes Alpha (https://www.divinho.com.br/produto/vinho-tinto-montes-alpha-malbec-2014/) foi o primeiro vinho premium do Chile e o Montes Alpha M o primeiro vinho super premium do chile, como foi o processo de comercializar vinhos de um patamar diferente?

Eu não sou do comercial, mas como enólogo posso falar que é uma questão de posicionamento, de credibilidade. Foi um projeto muito arrojado e uma aposta arriscada, pois barrar o rendimento significa barrar a ganância. O consumidor de vinhos aprecia muito isso e começa a acreditar em você.

A Vinã Montes posicionou-se no cenário de vinhos chilenos como uma produtora de rótulos de qualidade superior. Em trinta anos conseguimos um ótimo reconhecimento pelos consumidores e pelo próprio mercado.

Os brasileiros cada vez mais estão valorizando os vinhos chilenos, quais são os rótulos preferidos?

É difícil dizer, pois temos bastante rótulos aqui no Brasil. Temos quinze países de destino em todo o mundo e o Brasil está sempre entre os dez primeiros. Todos os rótulos que produzimos são comercializados em todo o mundo. Um rótulo que você experimenta aqui é o mesmo no Vietnã ou em Taiwan. É o mesmo vinho.

Aqui, no Brasil, existe uma predileção pelos vinhos ultra premium, como Montes Alpha M, Montes Folly e Purple Angel. São vinhos que são muitos queridos. Os brasileiros que visitam o Chile voltam carregados desses rótulos.

O Montes Alpha Cabernet Sauvignon é com certeza o campeão. Outro que no Brasil faz muito sucesso é Carménère como variedade. O Purple Angel é dos nossos vinhos de maior êxito. É um vinho suave, delicado e que pode ser consumido imediatamente.

Temos muitos ótimos vinhos brancos, como Montes Alpha Chardonnay, que funciona muito bem em clima quente, assim como o Montes Alpha Pinot Noir.

Temos também um linha que foi lançada a cerca de cinco anos, que se chama Outer Limits  e estou responsável por essa linha. É uma linha de vinhos mais exclusivos, de poucas garrafas e que buscamos um terroir, uma casta ou uma forma de vinificação mais interessante.

Dessa linha um Sauvignon Blanc, de uma área chamada Zapallar, é impressionante. Você abre a garrafa e sobe um aroma encantador. Temos nessa mesma linha um Pinot Noir extraordinário, assim como um ótimo Cinsault.

Existe uma nova geração de jovens que estão descobrindo os prazeres dos vinhos, como é atender esse público?

Esse é o público mais difícil, pois é um público que não fideliza, muda muito. Outer Limits é uma linha que está orientada para captar o interesse desse público mais jovem. É um vinho com mais personalidade, paralelo à filosofia do outros rótulos mais sérios da Vinã Montes.

Outer Limits vem para nicho de clientes jovens. É difícil cultivar e manter esse público. Pois também bebem outras coisas, como cerveja e drinks. O vinho é uma opção no meio dessa competição. Nossa equipe comercial busca entender melhor as necessidades desse público. Procuram vinhos que são fáceis de entender.

O Montes Twins é um exemplo de vinho que faz sucesso com os jovens. É um blend tinto de quatro castas, Cabernet Sauvignon, Carménère, Syrah e Tempranillo. Tem uma boa cor, um estrutura rica, um bom nível de madeira e conta com screw cap, que é fácil de abrir.

Assim conseguimos atingir o público mais jovem. Que não quer a complicação de um saca rolhas e ter que decantar o vinho, por exemplo.

É verdade que os vinhos descansam ao som de cantos gregorianos?

Temos uma sala especialmente para acondicionar os barricas do vinhos ultra premium, com capacidade para sessenta barricas.  E sim, temos cantos gregorianos, que se somam a estrutura da adega, construída em um conceito de feng shui.

Agora, falando de como isso influencia nos vinhos. Eu, como enólogo, acredito que o vinho tem muita energia. Buscamos criar na adega um ambiente para que as pessoas que trabalham alí tenham boas vibrações.

Quando uma pessoa está com boas vibrações, o que ela faz, faz bem. Acreditamos que o mesmo acontece com o vinho. O canto gregoriano é uma música que pode não estar no gosto de todos, mas não impacta negativamente. É uma música tranquila, que passa boas energias.

Quais rótulos da Viña Montes você recomenda para os brasileiros que querem experimentar algo diferente?

Essa é fácil: Outer Limits! Outer Limits é hoje conhecida como o diferente da Viña Montes. Focando claro na qualidade, nossa equipe não tem nenhuma restrição para o desenvolvimentos dos vinhos nessa linha.

Outer Limits é nossa linha mais interessante. Temos Sauvignon Blanc (https://www.divinho.com.br/produto/vinho-branco-montes-outer-limits-sauvignon-blanc-2018/), Pinot Noir, Cinsault (https://www.divinho.com.br/produto/vinho-tinto-montes-outer-limits-cinsault-2017/), além de um Syrah de zona costeira e clima frio. Outer Limits é a linha que saímos da nossa zona de conforto para produzir vinhos vertiginosos.

São produções pequenas, de três a cinco mil garrafas de cada tipo de vinho, que representam muito bem o estilo de vinificação. Qualquer rótulo da Outer Limits é um vinho que vai impactar pela novidade, pelo diferente e pela qualidade.

 

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