Entrevista com Ernesto Catena da Tikal

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Ernesto Catena, da Tikal, esteve no Brasil, no mês de maio, para um evento da Importadora Mistral. Ele concedeu uma entrevista exclusiva para a DiVinho, falando do vinhos da Tikal e da filosofia de produção biodinâmica, confira:

Ernesto Catena
Ernesto Catena

Você vem de uma família com mais de 100 anos de tradição na produção de vinhos, como foi crescer nesse meio? Tenho memórias muito ricas da minha infância com meu avô nos vinhedos. Me recordo principalmente que a produção era muito mais manual e menos mecânica. A mão do homem era o mais importante, usando as ferramentas para trabalhar a terra.

De onde surgiu a ideia de fundar a Tikal Ernesto Catena?

Tikal é um projeto em conjunto com minha esposa de vinhos para o mundo. Foi o primeiro vinho que saiu da Argentina e tem o nome de nosso filho, que é muito importante para nós. A ideia de usar esse nome foi porque nosso filho se chama Tikal e a cultura maia nos inspira muito.

Você e sua equipe construíram uma fazenda com vinhedos biodinâmicos que se integram com a natureza, qual foi a sua visão nesse processo.

Essa é uma pergunta muita boa, pois me exige uma boa resposta. A filosofia biodinâmica de cultivo é uma filosofia que valoriza toda a variedade de seres vivos, não só a vinha em si, mas também os micro-organismos que estão na terra, os animais que estão no entorno, as árvores e todas as outras plantas.

A forma predominante de cultivo é totalmente focada no monocultivo, arrancando todas as plantas e todas as árvores para plantar os vinhedos. Isso me parecia intuitivamente como um erro, mas não conhecia uma explicação científica.

Foi quando conheci a filosofia biodinâmica, que visa respeitar toda a natureza e aproveitar justamente toda essa variedade na produção de um produto. Respeitando, dessa maneira, a terra e todos os seres vivos.

O labirinto de vinhedos é especialmente impressionante, como foi concebido?

Nós gostamos muito do conceito do desconhecido, daquilo que não sabemos. Um conceito religioso, do mistério da vida, de onde viemos, por que estamos no mundo. Todas essas perguntas não têm uma resposta certa, como um mistério realmente.

O labirinto para nós é um símbolo daquilo que não sabemos, mas queremos descobrir. Sabemos que o conhecimento é a resposta. O labirinto simboliza isso e também é muito divertido, é muito gracioso. É muito difícil desvendá-lo, quando caminhamos por ele é como uma metáfora da vida.

Labirinto de vinhedos

A produção da vinícola é bastante reduzida e as garrafas são muito disputadas, fale um pouco dessa opção.

A qualidade é importantíssima, a qualidade e a quantidade não andam juntas. É impossível produzir um rótulo muito bom em uma grande quantidade.

Para produzir um bom vinho é necessário encontrar bons vinhedos e boas condições climáticas e isso não é fácil e não acontece todos os anos. Nós nunca vamos comprometer a qualidade de nossos vinhos para produzir mais.

Seus vinhos expressam o coração da região de Mendoza, combinado seu terroir com um estilo original na produção, qual o segredo?

Linda palavra coração, pois o primeiro Tikal que produzimos chamava-se Tikal Corazón e pretendemos lançá-lo novamente. O espírito da Tikal sempre foi buscar a melhor expressão de cada variedade e depois fazer um blend.

Nenhum Tikal é produzido com apenas uma uva, mas com uma mescla de uvas, buscando através dos contrastes de cada variedade produzir um sabor original. O que mais prezamos na Tikal é a originalidade, buscamos sempre surpreender.

Tikal

O Alma Negra é um dos maiores sucessos da Tikal, fale um pouco desse vinho.

Quando falei anteriormente sobre o desconhecido, sobre os questionamentos de onde viemos no universo, o Alma Negra é justamente um paralelo. O Brasil foi especialmente responsável pelo grande sucesso do Alma Negra, foi uma surpresa para nós, realmente não tem uma explicação.

Também creio que a liberdade total de ingredientes no processo de produção do Alma Negra é responsável pelo seu sucesso. Eu mesmo me auto felicito, pois é um trabalho de equipe que consegue proporcionar a qualidade do Alma Negra, ano após ano.

Quais rótulos da Tikal você recomenda para os brasileiros?

Os brasileiros gostam de vinhos mais fortes e os rótulos da Tikal são todos diferentes. o Tikal Natural é um vinho biodinâmico, pouco tânico e mais fácil de tomar. Já o Tikal Locura é outro extremo, muito mais concentrado, envelhecido em barrica e que pede um prato mais suculento, forte.

Temos em um extremo o Natural e no outro extremo o Locura. No meio temos o Tikal Amorio, o Tikal Patriota e o Tikal Júbilo.

 

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