Entrevista com Giacomo Marzotto da Ca’ del Bosco

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Ca’ del Bosco é a vinícola pioneira na produção de espumantes em Franciacorta, na Itália. Giacomo Marzotto, Diretor Regional para América Latina e Canadá na Ca’ del Bosco, concedeu uma entrevista exclusiva para a DiVinho, falando da tradição da vinícola, da região vitivinícola de Franciacorta e de seus renomados rótulos, como Cuvée Prestige e Annamaria Clementi, confira:

Giacomo Marzotto
Giacomo Marzotto

A história da Ca’ del Bosco é encantadora, fale um pouco dela.

A história da Ca’ del Bosco começa com uma visão, a visão do nosso sócio Maurizio Zanella. Seus pais haviam adquirido uma propriedade em Franciacorta nos anos sessenta em uma colina coberta por bosques. Daí o nome “Ca’ del Bosco”, “Ca” significa “Casa” e “del Bosco” “no Bosque”.

Maurizio teve a visão que essa poderia se tornar uma das importantes vinícolas do mundo. Tudo começou desta visão, mas também de uma paixão. Ele era um jovem que não tinha experiência com vinhos, mas apaixonou-se após participar de um tour para conhecer algumas das vinícolas da Borgonha e seus enólogos.

Ele não tinha mais do que dezoito anos quando visitou essas vinícolas. Ficou extático e ao voltar decidiu fazer algo diferente. Como não tinha o conhecimento, chamou André Dubois, que trabalhou como enólogo chefe da Ca’ del Bosco por vinte anos a partir do inicio dos anos setenta.

A visão de Maurizio combinada com o know-how de Dubois levou a vinícola a outro nível. Por sermos pioneiros pudemos selecionar as melhores áreas para plantação dos vinhedos.

Nós temos, na média, as vinhas mais antigas entre todos os produtores de Franciacorta. Existem 170 produtores em Franciacorta e 2700 hectares, nós somos donos de 250 hectares.

Maurizio Zanella
Maurizio Zanella

Ca’ del Bosco nunca deixa de trazer inovações.

Ca’ del Bosco trouxe com o passar dos anos mais e mais inovações. Nós acreditamos em respeitar o ativo mais importante, a terra. Mas ao mesmo tempo, acreditamos em nunca parar de inovar.

Em 2005, introduzimos uma inovação conhecida como “Spa das Uvas”, parte do Método Ca’ del Bosco. Nós somos uma das poucas vinícolas no mundo que lavam todas as uvas antes da vinificação.

Somos uma vinícola orgânica, mas usamos cobre e enxofre para prevenir a contaminação por bactérias e não queremos que essas substâncias estejam presentes no vinho.

Outra grande inovação foi nossa luta contra os sulfatos. Nós entendemos que esse elemento, além de interferir com o ser humano, interfere com a qualidade do vinho.

A maior das inovações nesse âmbito, que patenteamos alguns anos atrás, foi a invenção de uma máquina onde acontece o processo de dégorgement da garrafa em um ambiente sem oxigênio.

Millésimé e Annamaria Clementi são espumantes com um grande diferencial, o tempo em contato com as leveduras.

Nós temos Millésimé, que são os vinhos que ficam por um período mínimo de quatro anos em contato com as leveduras. Já os Reserva, Annamaria Clementi, ficam em contato com as leveduras por oito anos.

Escrevemos atrás de cada garrafa a quantidade de sulfato contida. Não fazemos isso por lote, mas garrafa a garrafa. Essa é nossa obsessão e acreditamos que realmente faz a diferença.

Annamaria Clementi está no seu segundo vintage, o primeiro vintage sendo o de 2008. O segundo vintage, de 2009, é o único vinho reserva no mundo que não tem a adição de licor de expedição. A dosagem é zero.

Ca' del Bosco Annamaria Clemente
Ca’ del Bosco Annamaria Clementi

Cuvée Prestige é um espumante impressionante, comparável aos melhores vinhos de Champagne, fale um pouco desse rótulo.

Cuvée Prestige foi uma inovação que trouxemos há cerca de dez anos. A ideia foi tornar Franciacorta mais acessível. Fazer um produto que fosse consistente com o passar dos anos, por isso usamos os vinhos Reserva. Para nós é a melhor interpretação da Denominação de Origem Franciacorta.

O primeiro e mais importante ponto, Cuvée Prestige não é um “não vintage”, mas um “vintage múltiplo”. O segundo ponto, é um Extra-brut, muito seco, mas que passa trinta e seis meses em contato com as leveduras.

Uma das nossas assinaturas é a perlage, as borbulhas. A perlage do Cuvée Prestige é bastante refinada e elegante. Isso porque não queremos que o vinho o deixe estufado.

Chardonnay é a uva predominante no Cuvée Prestige. Pinot Nero dá longevidade e a nossa assinatura, uma grande diferença que temos com nossos irmãos da França, é a Pinot Bianco.

São duas uvas brancas e uma uva tinta. Normalmente o blend na França consiste de duas uvas tintas, Pinot Noir e Pinot Meunier, e uma branca, Chardonnay.

Tudo na garrafa de Cuvée Prestige é verde, o vidro, o vinho, a rolha e até mesmo o papel alumínio que envolve a garrafa.  São 100% biodegradáveis. Para nós zero impacto é a regra.

O papel alumínio tem um propósito, evitar que os raios UV cheguem ao vinho. Além disso, ele também adiciona ao ritual e a experiência do vinho, de desembalar a garrafa, retirar a rolha e servir o vinho.

Esse momento se torna mais cerimonial e quando você abre uma garrafa de Ca’ del Bosco Cuvée Prestige deve ser assim mesmo.

Vinhedos Ca' del Bosco
Vinhedos Ca’ del Bosco

Fale um pouco das outras linhas da Ca’ del Bosco, como a Vintage Collection.

Ca’ del Bosco é 80% Franciacorta, o que significa borbulhas. Primeiro pelo Método Clássico e segundo pela adição na garrafa.

Nós temos a nossa linha Prestige, composta por Cuvée Prestige e Cuvée Prestige Rosé. Na Vintage Collection temos nossos vinhos Millésimé, onde usamos uma dosagem de licor de expedição muito pequena.

Vintage Collection Satèn é um “Blanc de Blanc” de Pinot Bianco e Chardonnay. Temos um Brut, Vintage Collection Brut, também de Pinot Bianco e Chardonnay.

Então temos nossa linha Reserva, composta por três vinhos. Annamaria Clementi, Annamaria Clementi Rosé e Vintage Collection Zéro Noir, que também fica por oito anos em contato com as leveduras e é 100% Pinot Noir.

Nos vinhos tradicionais temos Corte del Lupo Bianco, que é um blend de Chardonnay e  Pinot Bianco, e Corte del Lupo Rosso. Ai temos nossos “super vinhos”, Chardonnay, Pinéro, Maurizio Zanella, Ilmerlot e Carmenero.

Sala das Barricas
Sala das Barricas

Maurizio Zanella gostava de servir Franciacorta em taça maiores que a tradicional flute, poderia nos contar o motivo?

Esse é outro ponto muito importante. Nós não bebemos Franciacorta em taças flute por quatro motivos principais. O primeiro é o aroma, em uma taça mais aberta você consegue sentir melhor o bouquet de aromas do vinho.

O segundo é o sabor. As papilas gustativas estão localizadas na parte externa da língua. Assim, quando você bebe em uma taça flute está perdendo um pouco dessa experiência.

Outro aspecto muito importante é a postura. Com uma taça flute você acaba tendo que posicionar o corpo de uma maneira não confortável. O quarto e último ponto têm a ver como a higiene.

As taças flute além de serem difíceis de lavar também são muito difíceis de serem secas. Mesmo quando você usa uma secadora industrial um pouco de umidade permanece na taça e essa umidade afeta o perfil do vinho. Você não quer isso.

Voltando à história, as primeiras taças usadas para Champagne eram conhecidas como Maria Antonieta. Que reza a lenda foram moldadas ao formato dos seios da rainha por um pedido de Louis XVI, o último rei da França.

As taças flute também eram maiores, isso mudou no início do século XX para aumentar a funcionalidade de produção e armazenamento. Mas quando você está apreciando um bom vinho, funcionalidade é uma coisa que você não quer levar em conta.

Ca' del Bosco
Ca’ del Bosco

Existe uma nova geração de jovens que estão descobrindo os prazeres dos vinhos, como é atender esse público?

Minha percepção é que essa nova geração é muita mais receptiva à qualidade. Isso porque eles têm mais acesso à informação, uma coisa que não tínhamos antigamente.

Os jovens começam pela cerveja, passam pela tequila e por vinhos de entrada até chegar aos vinhos de mais alta gama. Esse processo acontece cada vez mais rapidamente. Por isso, nosso objetivo é continuar focando na qualidade.

Minha convicção sempre foi que o único jeito de ter um produto sustentável a longo prazo é a qualidade e isso não pode ser comprometido. E, obviamente, sustentabilidade significa respeitar o meio ambiente.

Adega
Adega

Quais rótulos Ca’ del Bosco você recomenda para os brasileiros que ainda não conhecem a vinícola?

Cuvée Prestige, com certeza. Recomendo também a linha Corte del Lupo para os vinhos tradicionais. Eles representam a essência da vinícola, para conhecer Franciacorta e Curtefranca, que é a D.O.C. (Denominação de Origem Controlada) dos vinhos tradicionais.

A partir daí você sempre pode continuar subindo e experimentar nossos Vinhos Especiais e Reserva.

 

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