Primitivo

Primitivo

Primitivo na Itália ou Zinfandel nos Estados Unidos

A uva é a mesma e, apesar de ter identidade própria no sul da Itália, região da Puglia, na qual é chamada de Primitivo, e também nos Estados Unidos, onde atende por Zinfandel, sua terra natal é a Croácia. Primitivo e Zinfandel são clones da uva croata Crljenak Kastelanski.

É uma uva que amadurece rapidamente – essa característica cunhou o nome Primitivo, que deriva do Latim “primativus” e do italiano antigo “primaticcio” (ambos significam “primeiro a amadurecer”). Além disso, tem características muito particulares, confere cor escura aos vinhos e um ótimo teor alcoólico. Em termos de aromas, a Primitivo/Zinfandel oferece frutas pretas maduras, especiarias e alcaçuz. Trata-se de uma uva versátil, que se sai bem tanto em vinhos jovens, sem passagem por barrica, como em vinhos mais robustos e intensos, com envelhecimento em carvalho.

Durante muito tempo, os vinhos de Primitivo produzidos na Puglia foram considerados pelos produtores como “ingrediente” para enriquecer outros vinhos tintos italianos, ou seja, entravam em cortes para agregar cor, estrutura, aromas e teor alcoólico. Um ou outro produtor se dedicava, de verdade, à elaboração de vinhos varietais de Primitivo, confiando no potencial dessa uva para gerar tintos interessantes. Até que a Primitivo entrou na moda! É um dos vinhos tintos adorados pelos brasileiros. E há vários exemplares italianos com preço muito atraente.

Os melhores vinhedos de Primitivo

A uva Primitivo ocupa cerca de 11.000 hectares de vinhedos na Puglia. Aqueles localizados na província de Taranto, que dão origem aos “Primitivo de Manduria” e “Primitivo di Manduria Dolce Naturale”, e os situados nas colinas de Gioia del Colle e Murgia são os mais reputados, para comprar de olhos fechados. Nessas áreas específicas há muitos vinhedos centenários, conhecidos como alberello pelo método como foram plantados. São os vinhedos mais disputados e que resultam em vinhos tintos de outro patamar. Em Manduria, a uva Primitivo foi introduzida em 1881, trazida de Gioia del Colle. Rapidamente se espalhou também por Salento.

Primitivo = Zinfandel

A “dupla personalidade” da Primitivo foi descoberta ao acaso. Em 1967, quando o fitopatologista Austin Goheen, da Universidade de Davis, nos Estados Unidos, visitou a Puglia e provou vinhos tintos de Primitivo. Ele ficou tão espantado com a semelhança com os vinhos californianos de Zinfandel que resolveu investigar a origem da Primitivo. Em 1994, ficou comprovado, por meio de testes genéticos, que se trata da mesma variedade de uva. Novos estudos identificaram, em 2001, que ambas – Primitivo e Zinfandel – eram, na verdade, clones da variedade croata Crljenak Kastelanski.

White Zinfandel

Sim, existe um vinho chamado White Zinfandel, só que, na verdade, ele tem uma cor rosada. Quanto ao sabor, pode ser seco ou doce. Essa curiosidade já fez muito sucesso nos Estados Unidos. Conta-se que o White Zinfandel surgiu ao acaso, na década de 1970, durante um experimento da vinícola Trinchero. Para conseguir um Zinfandel tinto robusto, o produtor retirou parte do mosto sem as cascas e o fermentou como se fosse um vinho branco. Os clientes gostaram e uma nova categoria de vinho surgira.

Mas os tintos de Zinfandel são, sem dúvida, os mais populares. Os americanos gostam tanto da Zinfandel que até criaram um evento dedicado a essa uva: o ZAP Zinfandel Festival (https://zinfandel.org/)

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